ECONOMIA
Ambipar (AMBP3) suspende Assembleia Geral de Credores por decisão do STJ
A Ambipar (AMBP3), em recuperação judicial, comunicou nesta quarta-feira (1º) a suspensão da Assembleia Geral de Credores (AGC) prevista para…

A Ambipar (AMBP3), em recuperação judicial, comunicou nesta quarta-feira (1º) a suspensão da Assembleia Geral de Credores (AGC) prevista para hoje, em segunda convocação.
A interrupção ocorreu antes mesmo do início da reunião, atendendo a uma decisão liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), resultante de um pedido de tutela antecipada feito por determinados credores do Grupo Ambipar, que inclui a Ambipar e suas afiliadas, como a Environmental ESG Participações S.A., também em recuperação judicial.
Com a decisão, a AGC permanece suspensa até o julgamento definitivo da controvérsia apresentada no pedido de tutela antecipada.
Além disso, a liminar determinou, após reconsideração parcial, a suspensão do prazo do chamado stay period, que é o período no qual a empresa tem proteção contra ações de cobrança por parte dos credores, a partir da data da decisão liminar e até nova manifestação do STJ.
A AGC tinha como objetivo aprovar os termos do Plano de Recuperação Judicial do Grupo Ambipar, um passo fundamental para a reorganização financeira das companhias e para a retomada da estabilidade operacional.
Segundo a companhia, “a suspensão prolonga a indefinição sobre a concretização das condições previstas no plano, podendo impactar o relacionamento com os credores e a percepção do mercado sobre a empresa”.
A crise na Ambipar
A crise da Ambipar ganhou dimensão de reestruturação financeira depois que o rápido crescimento da companhia veio acompanhado de um forte aumento do endividamento. Em outubro de 2025, o grupo entrou em recuperação judicial com passivo de cerca de R$ 10,5 bilhões, em um processo que envolve credores de títulos emitidos no exterior, debêntures e bancos.
A estrutura da dívida tornou-se o principal problema da empresa, que passou a negociar com os credores enquanto enfrentava dificuldades para manter em dia suas obrigações.
A recuperação ainda está longe de ser concluída. O plano precisa ser aprovado pelos credores, e a própria condução do processo tem provocado disputas com instituições financeiras.
Em agosto, a Ambipar voltou a adiar a divulgação de seus resultados, alegando que a recuperação judicial afetou a apuração das informações financeiras e contábeis.
A situação também se estendeu às operações: no fim de julho, uma fornecedora de frotas, a Addiante, pediu a falência da companhia por uma dívida de R$ 187,7 milhões, enquanto a Ambipar contestou a cobrança na Justiça.
Assim, o desafio da empresa deixou de ser apenas reduzir o peso da dívida e passou a envolver também a recuperação da previsibilidade financeira e da confiança dos credores e investidores.
Perguntas frequentes
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