NEGÓCIOS

Bets, juros e dívidas devem levar brasileiro a buscar mais descontos na Black Friday

A Black Friday de 2026 deve encontrar um consumidor mais cauteloso com o próprio bolso, e, justamente por isso, mais…

A Black Friday de 2026 deve encontrar um consumidor mais cauteloso com o próprio bolso, e, justamente por isso, mais atento às promoções. Em um cenário com taxa de juros em 13,75% ao ano e com 82% das famílias endividadas, a expectativa da NielsenIQ é que o preço tenha peso ainda maior na decisão de compra. O movimento também acontece em um momento em que parte da renda dos brasileiros é direcionada para as apostas esportivas, as bets, adicionando mais uma pressão ao orçamento familiar. Levantamento pré-Black Friday realizado pela NielsenIQ mostra que 81,8% dos consumidores que compraram pela internet durante o período em 2025 apontaram preços mais baixos como fator para a decisão de compra. Para este ano, a empresa espera que os descontos continuem entre os principais motivos para o consumidor abrir a carteira. “O consumidor está muito mais preocupado e cauteloso. Ele está fazendo uma conta para equilibrar o consumo e entender onde consegue aproveitar uma oportunidade”, diz a gerente de insights para o varejo da NielsenIQ, Tatiene Vale. A lógica ajuda a explicar uma transformação da própria Black Friday. A data, que nasceu concentrada em uma sexta-feira — neste cai em 27 de novembro – , vem se espalhando pelo calendário. As ofertas de descontos costumam se estender por todo o mês de novembro, enquanto consumidores também antecipam compras de Natal. Para a NielsenIQ, o resultado do período já não pode ser analisado apenas pelo desempenho da semana da Black Friday. No varejo físico, as vendas de bens de consumo rápido chegaram a R$ 16,6 bilhões na semana da Black Friday de 2025, crescimento de 6,5% em valor e 1,4% em volume ante o mesmo período de 2024. Quando considerado todo o mês de novembro, o faturamento alcançou R$ 71,9 bilhões, alta de 7,4% em valor e 2,3% em volume. A expansão do período promocional também aparece em outras categorias. Em Tech & Durables, que reúne eletroeletrônicos e bens duráveis, a semana da Black Friday movimentou R$ 7,7 bilhões em 2025, alta de 8,9% em valor e 4,7% em volume. Em novembro, o faturamento foi de R$ 23 bilhões, avanço de 14,2% em valor e 11,6% em volume. Preço, frete e conveniência Com o orçamento mais restrito, o consumidor também tende a olhar para o custo total da compra. No comércio eletrônico, o preço continua sendo determinante, mas frete grátis e velocidade de entrega ganharam relevância desde 2024. “A pessoa vai buscar o menor preço, mas não olha só para ele. Ela coloca na conta o frete, o prazo de entrega e a conveniência. É um pacote de custo-benefício”, afirma Vale. Outro movimento que pode aparecer na Black Friday é a preferência por produtos associados ao consumo dentro do lar. Com o bolso mais apertado, a permanência em casa pode favorecer categorias que oferecem praticidade, entretenimento ou conforto. É o caso de produtos como fritadeiras, lava-louças, videogames e outros aparelhos voltados para facilitar atividades domésticas. A NielsenIQ também identifica avanço na procura por alimentos associados a bem-estar e com atributos como menor teor calórico. O clima também entra no radar. A possibilidade de efeitos associados ao El Niño pode afetar safras, custos e logística e, consequentemente, chegar aos preços pagos pelo consumidor. Nas categorias de eletroeletrônicos, mudanças nas temperaturas também podem alterar a demanda por equipamentos como ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. Outro movimento que pode aparecer na Black Friday é a preferência por produtos associados ao consumo dentro do lar Paulo Pinto/Agência Brasil

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Bets, juros e dívidas devem levar brasileiro a buscar mais…”?
A Black Friday de 2026 deve encontrar um consumidor mais cauteloso com o próprio bolso, e, justamente por isso, mais atento às promoções. Em um cenário com taxa de juros em 13,75% ao ano e com…
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