ECONOMIA
Boleto recua no pagamento entre empresas e depósitos lideram avanço, mostra pesquisa
O boleto está perdendo participação nas transações entre empresas, mas essa redução não representa uma migração para o Pix. O…

O boleto está perdendo participação nas transações entre empresas, mas essa redução não representa uma migração para o Pix. O estudo Panorama de Contas a Pagar, da Qive (antiga Arquivei), mostra que o depósito bancário foi o meio que mais avançou em participação nos pagamentos entre empresas, seguido pelo cartão de crédito corporativo. A pesquisa analisou 236,6 milhões de transações entre empresas que movimentaram R$ 3,3 trilhões, por meio de documentos fiscais eletrônicos. Fundada em 2014 por Abbud, Christian de Cico e Vitor Oliveira, a Qive atua na centralização, organização e automação de documentos fiscais. Na comparação entre o ano fechado de 2025 e os primeiros oito meses de 2026, a participação do boleto na quantidade de notas caiu de 77,13% para 72,96%. Por outro lado, o depósito bancário passou de 4,63% para 6,80%, liderando o avanço, enquanto o cartão de crédito corporativo subiu de 2,13% para 3,28%, e o Pix, de 1,50% para 2,03%. A transferência bancária recuou de 5,45% para 5,40%. Em valor movimentado, a participação do boleto caiu de 73,74% para 70,42%. O depósito bancário passou de 7,98% para 8,95%; o cartão de crédito corporativo, de 0,31% para 0,40%; o Pix, de 0,45% para 0,77%; e a transferência bancária, de 9,71% para 11,90%. Para Christian de Cico, co-CEO e cofundador da Qive, a permanência do boleto tem relação com o “lastro documental” do método de pagamento. “No boleto, eu consigo associar o pagamento a um documento e fazer essa conferência um a um. Nos outros métodos, fica o registro bancário e contábil, mas não necessariamente esse vínculo documental”, afirma, em nota. Ele ressalta que a pesquisa avalia o método de pagamento declarado na emissão da nota, e não necessariamente o meio pelo qual a liquidação financeira é realizada. “Então, se uma empresa emite um boleto e esse boleto é liquidado via Pix, a nota continua registrando boleto. Se esse comportamento for frequente, parte do Pix corporativo pode estar aparecendo dentro do boleto nos dados, o que ajuda a explicar a diferença entre a adoção que o mercado percebe e a participação que a gente mede aqui.” A pesquisa também mostra a participação dos meios de pagamento nos diferentes setores da economia. Em 2026, o boleto representou 81,97% das transações no setor de saúde e 75,8% no de infraestrutura. Na outra ponta, representou 51,2% dos pagamentos no agronegócio e 52,4% em serviços. O método ganhou participação em sete dos 12 setores analisados. “Uma leitura mais compatível é a de complexidade operacional: cadeias com muitos fornecedores, compras reguladas e alta exigência documental tendem a favorecer um método que já oferece registro formal e conciliação padronizada. A diversificação pode acontecer, mas exige reconstruir controles que hoje estão muito apoiados no boleto”, avalia o executivo. A pesquisa ainda trouxe os tickets médios, lembrando que o ano de 2026 não está fechado e, portanto, não inclui datas como Black Friday e Natal. O ticket médio da transferência bancária passou de R$ 25.990 em 2025 para R$ 29.063 em 2026; o do depósito bancário, de R$ 25.174 para R$ 17.353; o do boleto, de R$ 13.953 para R$ 12.724; o do Pix, de R$ 4.391 para R$ 5.040; e o do cartão de crédito, de R$ 2.105 para R$ 1.605.
Perguntas frequentes
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