AGRONEGÓCIO
Cogny obtém autorização inédita para uso industrial de OGMs em bioinsumos
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O Ecossistema Cogny, por meio das empresas Bioma e Orygen Research, avançou no desenvolvimento da próxima geração de bioinsumos no Brasil. A Bioma recebeu da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) o Certificado de Qualidade em Biossegurança (CQB) nº 714/26, autorizando a utilização, em produção industrial, de microrganismos geneticamente modificados (OGMs).
Trata-se da primeira autorização desse tipo concedida no Brasil a uma empresa voltada à produção de insumos microbiológicos para a agricultura. Até hoje, apenas empresas dos setores farmacêuticos, ou de plantas transgênicas, tinham esse aval.
A decisão complementa a estrutura já existente na Orygen Research, centro de pesquisa e desenvolvimento do Ecossistema Cogny, que já possuía autorização no nível 2 de segurança, onde se pode manipular os micro-organismos.
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Com a nova autorização, a Orygen permanece concentrada nas atividades de pesquisa, enquanto a Bioma passa a ter respaldo regulatório para levar essa plataforma à escala industrial e, posteriormente, à comercialização das tecnologias desenvolvidas.
De acordo com o diretor de Pesquisa & Desenvolvimento do Ecossistema Cogny, Artur Soares, a tecnologia permite utilizar microrganismos modificados como plataformas para produção de moléculas específicas, sem que o próprio microrganismo seja o ingrediente final do produto.
“O processo é o seguinte: inserimos o gene desejado em um micro-organismo não-alvo, que passa a expressar e multiplicar a molécula de interesse. Ao final da fermentação, o processo é encerrado e a biomassa é processada, restando apenas a molécula purificada, o micro-organismo funciona apenas como plataforma de produção, e não como produto final. Por isso hoje conseguimos entregar produtos à base de metabólitos, moléculas purificadas”, afirma.
Existem diversos microrganismos contemplados, incluindo uma cepa modificada para produção de isoprenoides e fitohormônios. Segundo a autorização da CTNBio, todos serão manipulados exclusivamente em regime de contenção NB-1 industrial, em biorreatores fechados, com posterior inativação térmica ou esterilização completa.
Biossegurança e avanço científico
A biossegurança é parte central do padrão de qualidade da operação, seguindo o mesmo rigor já consolidado na indústria farmacêutica e de fermentação industrial. O projeto conta com sistemas fechados, segregação física de fluxos, procedimentos de limpeza e descontaminação, controle de acesso, monitoramento microbiológico e tratamento específico de resíduos.
A infraestrutura inclui ainda uma central de limpeza Clean-in-Place (CIP) e uma Estação de Tratamento de Efluentes com Central de Inativação Térmica, que processa os resíduos a 127°C por 30 a 45 minutos antes do descarte, em linha com os protocolos internacionais de boas práticas de fabricação.
Para Soares, a nova plataforma amplia significativamente o horizonte tecnológico da empresa. “Expandimos as aplicações para o futuro. O horizonte é vasto e promissor: produção de moléculas purificadas, peptídeos para o agro, moléculas hormonais, moléculas para controle de pragas, moléculas para controle de doenças”, projeta.
O primeiro resultado comercial dessa estratégia deverá chegar em 2027, com uma linha hormonal produzida por essa plataforma. “Mas novas moléculas estão chegando, já com outros projetos voltados a isso”, revela o responsável pela Orygen.
De acordo com o CEO e fundador do Ecossistema Cogny, Marcelo de Godoy Oliveira, a combinação entre a capacidade de pesquisa da Orygen e a autorização de produção industrial da Bioma cria uma plataforma para acelerar a transformação de descobertas biotecnológicas em produtos destinados ao campo.
“Com isso, o Ecossistema Cogny vai se consolidar como líder desse mercado de produção de biomoléculas puras nos próximos anos. Isso se dá pelo fato da empresa ter buscado as parcerias certas, bem como, ter acreditado no potencial da pesquisa da Orygen Research”, conclui.
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Perguntas frequentes
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