AUTOMÓVEIS

Kia pode assumir operação brasileira e construir fábrica para ter perdão de dívida

A operação da Kia no Brasil está perto de passar por uma transição histórica até o fim deste ano. Após…

A operação da Kia no Brasil está perto de passar por uma transição histórica até o fim deste ano. Após 34 anos sob a batuta do Grupo Gandini, a marca sul-coreana pode ter suas atividades locais comandadas pela Hyundai, sua proprietária global. A mudança, adiantada pelo jornalista João Anacleto, foi a solução encontrada para destravar um problema governamental que impedia a fabricante de produzir veículos no país.

O cerne da negociação está em um problema com o governo brasileiro. Existe uma dívida fiscal (supostamente de R$ 6 bilhões) que foi gerada pela Asia Motors, antiga importadora das vans Topic e Towner na década de 1990. A empresa havia recebido incentivos fiscais a partir da promessa de que construiria uma linha de montagem em Camaçari (BA), o que nunca aconteceu.

Asia Townerarquivo/Quatro Rodas

A disputa jurídica sobre essa dívida se arrasta por anos. A Kia global era acionista da Asia Motors do Brasil (AMB), e acabou virando o alvo para a execução por conta da dissolução da AMB, apontada como irregular pela Fazenda Nacional. Desde 2023, o caso retornou à 1º instância do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região e a Kia voltou a ser considerada sucessora da AMB para a execução fiscal.

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José Luiz Gandini, presidente da Kia no Brasil, confirmou à QUATRO RODAS que a negociação entre a fabricante e o governo existe, mas que ainda não foi concluída. “Caso a governo aceite perdoar a dívida, a Kia construirá uma fábrica e eu saio da jogada”, explica o executivo, “só que não há nada definido ainda. Pode ser que eu continue por aqui por mais 34 anos.”

Esta nova fábrica deverá ser erguida em Piracicaba (SP), próxima ao complexo já existe da Hyundai, com previsão de iniciar a operação em 2028. Será uma forma da Hyundai ampliar sua produção nacional, visto que o prédio atual não pode ser ampliado por falta de espaço. Ainda não há uma definição sobre quais carros da Kia poderão ser nacionalizados.

<span class="hidden">–</span>Jetour/Divulgação
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O futuro do Grupo Gandini e a chinesa JMC

Com o fim do ciclo à frente da Kia, o Grupo Gandini prepara sua continuidade no setor automotivo brasileiro. Como antecipado por QUATRO RODAS, a empresa negocia assumir a importação oficial da fabricante chinesa JMC (Jiangling Motors Corporation).

A aproximação já rendeu ações práticas, como o desembarque recente de unidades da picape média JMC Vigus, também conhecida no exterior como Grand Avenue, para baterias de testes e homologação no Brasil. Caso o martelo seja batido, esta será a segunda incursão do grupo paulista com uma fabricante da China, após a representação da Geely entre 2012 e 2014.

A JMC possui uma operação internacional estruturada, sendo a parceira da Ford no desenvolvimento e fabricação do SUV Territory, importado atualmente para o Brasil. Focada em veículos comerciais e picapes, a montadora destina 63% da sua produção às exportações e mantém 16 linhas de montagem fora da China.

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Perguntas frequentes

Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.

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Thiago Carvalho

Thiago Carvalho

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